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Novas Linhas de Crédito do Plano Safra 2025/2026: Como financiar genética de ponta na sua fazenda

 

Plano Safra 2025/2026

O acesso ao crédito rural de qualidade é, muitas vezes, o que separa uma fazenda que apenas "sobrevive" de uma propriedade altamente lucrativa. Com o lançamento das diretrizes para o Plano Safra 2025/2026, o produtor de leite brasileiro ganhou ferramentas poderosas para investir em tecnologia e genética sem descapitalizar o seu fluxo de caixa.

Neste artigo, vamos detalhar como você pode aproveitar essas linhas de crédito para transformar a realidade produtiva da sua fazenda.

1. O Foco em Genética e Bioeconomia

Uma das grandes novidades para 2026 é o incentivo direto à Bioeconomia e ao Melhoramento Genético. O governo e as instituições financeiras entenderam que uma vaca com genética superior produz mais leite com o mesmo consumo de alimento, o que é essencial para a sustentabilidade do setor.

Linhas como o Pronaf Bioeconomia e o Pronaf Mais Alimentos permitem o financiamento de:

  • Aquisição de sêmen bovino (incluindo sêmen sexado).
  • Compra de embriões de alta linhagem.
  • Serviços de consultoria técnica em reprodução.
  • Tecnologias de inseminação artificial em tempo fixo (IATF).

2. Taxas de Juros e Prazos para 2026

2. Taxas de Juros e Prazos para 2026

Para o ciclo 2025/2026, as taxas de juros para o pequeno e médio produtor seguem atrativas, especialmente quando comparadas às taxas de mercado:

  • Pronaf: Taxas que variam entre 3% e 6% ao ano (dependendo da linha e do enquadramento do produtor).
  • Prazos: Para investimentos em genética, os prazos podem chegar a 10 anos, com períodos de carência de até 3 anos,permitindo que o investimento comece a dar retorno (venda de bezerras ou aumento de produção) antes de você começar a pagar as parcelas principais.

3. Como se preparar para solicitar o crédito?

Não basta ir ao banco. Para garantir a aprovação do seu projeto em 2026, você precisa de organização:

  1. CAF ou DAP Ativa: Certifique-se de que seu Cadastro Nacional da Agricultura Familiar está atualizado.
  2. Projeto Técnico: Os bancos exigem um projeto assinado por um técnico (agrônomo, veterinário ou zootecnista) justificando o ganho de produtividade com aquela genética.
  3. Regularidade Ambiental: Ter o CAR (Cadastro Ambiental Rural) em dia é pré-requisito básico para qualquer linha de crédito rural hoje.
4. Por que financiar agora?

Com o mercado de leite exigindo cada vez mais eficiência, esperar "sobrar dinheiro" para investir em genética pode custar caro. O crédito rural permite que você antecipe em 5 anos o progresso genético do seu rebanho, pagando o investimento com o próprio aumento da produtividade futura.

Dica do Vacada Boa: Procure sua cooperativa de crédito ou o gerente do seu banco de confiança o quanto antes. Os recursos das linhas com juros mais baixos costumam ser liberados rapidamente no início do Plano Safra.

English Summary : The Brazilian Rural Plan (Plano Safra 2025/2026) offers specialized credit lines for dairy producers to invest in advanced genetics. With interest rates as low as 3% per year, farmers can finance high-quality semen, embryos, and reproductive technology to boost efficiency and profitability without compromising their cash flow.


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Beef on Dairy no Brasil: Como transformar bezerros de leite em lucro real em 2026

 

Beef on Dairy, Lucratividade, Genética Bovina, Pecuária de Leite, Cruzamento Industrial

O mercado da pecuária leiteira no Brasil atravessa uma transformação profunda em 2026. Se antes o bezerro macho de origem leiteira era visto como um "subproduto" de baixo valor, hoje ele se tornou uma peça-chave para o fechamento das contas na fazenda. A estratégia Beef on Dairy o cruzamento de vacas leiteiras com genética de corte deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade econômica.

O que é o Beef on Dairy e por que ele explodiu em 2026?

A lógica é simples e poderosa: o produtor utiliza sêmen sexado de fêmea nas suas melhores vacas para garantir a reposição do plantel leiteiro. No restante do rebanho (vacas de menor mérito genético ou que não devem gerar seguidoras), utiliza-se sêmen de raças de corte de alta performance.

O resultado? Um bezerro mestiço industrial que possui alto vigor híbrido, ganho de peso acelerado e excelente qualidade de carcaça. Enquanto um bezerro holandês puro tinha dificuldade de comercialização, o "bezerro Beef on Dairy" é disputado por recriadores e confinamentos.

As Raças que Estão Liderando o Mercado

Para obter o máximo de lucro, a escolha da raça de corte é fundamental. Em 2026, três cruzamentos se destacam no Brasil:


Angus x Holandês: O cruzamento clássico. Proporciona animais com excelente marmoreio e precocidade, atendendo aos programas de carne premium.

Senepol x Girolando: Ideal para propriedades em regiões mais quentes (Brasil Central e Norte). O Senepol aporta tolerância ao calor e um bezerro que nasce pequeno (evitando partos distócicos) mas desmama muito pesado.

Nelore x Vacas de Leite: Uma opção rústica que gera animais adaptados e com boa carcaça para o mercado de commodities.

Vantagens Econômicas para o Produtor de Leite

Implementar o Beef on Dairy vai além de "vender bezerro". Os benefícios impactam toda a gestão da fazenda:

Diversificação de Receita: O produtor deixa de depender exclusivamente do preço do litro do leite. A venda de animais de corte gera um fluxo de caixa robusto em momentos estratégicos.

Valorização do Ativo: Um animal Beef on Dairy bem manejado pode atingir 22 arrobas com abate aos 12 meses, transformando o que era descarte em um ativo de alto valor.

Melhoria Reprodutiva: Vacas que apresentam maior dificuldade em emprenhar com sêmen leiteiro muitas vezes respondem melhor ao vigor da genética de corte.

Conclusão: O Futuro é a Precisão

O Beef on Dairy em 2026 exige planejamento. Não basta cruzar qualquer touro com qualquer vaca. É preciso usar ferramentas de genômica para identificar quais vacas devem produzir leite e quais devem produzir carne.


Se você busca sustentabilidade financeira para sua propriedade leiteira, o cruzamento industrial não é mais uma opção, é a estratégia definitiva para maximizar cada nascimento no seu curral.


Dica técnica do Vacada Boa: Sempre consulte um médico veterinário ou especialista em reprodução para escolher os touros com facilidade de parto confirmada, protegendo a saúde de suas matrizes leiteiras.

English Summary : The "Beef on Dairy" strategy is a game-changer for Brazilian dairy farms in 2026. By crossing dairy cows with high-quality beef genetics (like Angus or Senepol), producers transform low-value calves into profitable assets for the premium meat market. This approach diversifies income and improves overall farm efficiency.


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Preço do Leite em 2026: Tendências, Cotações CEPEA e o Impacto da Entressafra no Mercado Lácteo

 O mercado de lácteos no Brasil atravessa um momento de recuperação estratégica em abril de 2026. Após um ciclo de baixas severas no ano anterior, o setor pecuário leiteiro observa um movimento de valorização sustentado pela redução da oferta de leite cru e pelo aquecimento da disputa no mercado spot.

​Para produtores e indústrias que buscam previsibilidade, entender as nuances da "Média Brasil" e o comportamento dos derivados é fundamental para a gestão de margens.

Cotação leite CEPEA abril 2026


​1. Cotação Atual: A Reação do Preço do Leite ao Produtor

​Segundo dados do CEPEA/Esalq, o preço médio líquido pago ao produtor atingiu R$ 2,15 por litro em março/abril de 2026. Este valor representa uma alta acumulada no início do ano, revertendo a tendência de queda observada no final de 2025.

​Alta no Campo: Em Minas Gerais, praça de referência, as cotações alcançaram médias de R$ 2,20/litro em meados de abril.

​Recuperação Gradual: Embora os valores atuais sejam cerca de 25% inferiores aos picos reais de 2025 (ajustados pelo IPCA), a curva de 2026 é ascendente.

​Tabela: Desempenho Regional (Projeções Conseleite - Abril 2026)

Estado Projeção de Reajuste (%)

Paraná +4,2%

Santa Catarina +3,7%

Minas Gerais +2,8%

Rio Grande do Sul +2,0%

(Fonte: Dados baseados nos informativos Conseleite)  

2. Fatores que Impulsionam os Preços em Abril

A valorização do leite em 2026 não é acidental, mas sim o resultado de uma combinação de fatores estruturais e conjunturais:

Entrada na Entressafra: Com a aproximação do período seco nas principais bacias leiteiras (Sul e Sudeste), a disponibilidade de pastagens diminui, reduzindo a captação e elevando a competição entre laticínios pelo leite cru.

Valorização dos Derivados no Atacado: O leite UHT e a muçarela registraram altas expressivas (o UHT subiu cerca de 11,7% no varejo), permitindo que a indústria repasse parte desses ganhos ao pecuarista.

Custos de Produção e Reposição: O preço do bezerro e os insumos de nutrição animal seguem elevados, limitando uma expansão agressiva da oferta e mantendo o mercado "em modo defensivo".

3. Desafios: Importações e o Déficit na Balança Comercial

Apesar da alta interna, o Brasil continua sendo um grande importador. No acumulado de 2026, a balança comercial de lácteos apresenta um déficit superior a US$ 230 milhões.

A entrada de leite em pó do Mercosul, aliada à volatilidade do dólar, atua como um teto para os preços internos. O mercado global, monitorando tensões geopolíticas (como o conflito EUA-Irã), elevou os custos de frete, tornando até o produto importado mais caro em abril.

4. O que Esperar para o Segundo Trimestre?

As projeções indicam que o "perverso ciclo do leite" está em uma fase de ajuste de oferta. Especialistas apontam para:

Manutenção das Altas: Preços devem seguir firmes em maio e junho devido à sazonalidade climática.

Crescimento Moderado: A produção nacional deve crescer cerca de 2,6% em 2026, atingindo 26,16 milhões de toneladas, segundo estimativas do USDA.

Gestão de Risco: O foco do produtor deve ser o controle rigoroso do Custo Operacional Efetivo (COE), já que a margem bruta ainda é pressionada pela inflação de insumos.


Conclusão: 

O Momento Exige Gestão Estratégica

O cenário para o preço do leite em 2026 aponta para um ciclo de valorização que traz alívio ao fluxo de caixa do produtor, mas que ainda exige cautela. A combinação entre a entressafra climática e a maior firmeza no mercado de derivados sustenta as altas atuais. Entretanto, a pressão das importações e a volatilidade dos custos de produção especialmente milho e farelo de soja permanecem no radar.

Para o pecuarista, o segredo deste trimestre não será apenas o preço de venda, mas a eficiência produtiva. Monitorar de perto os índices do CEPEA e os boletins do Conseleite é o caminho para tomar decisões baseadas em dados, garantindo que a margem de lucro seja protegida.

Gostou desta análise?

Fique por dentro de tudo o que acontece no universo agropecuário acompanhando o Vacada Boa. Trazemos a informação técnica que você precisa para transformar o manejo em resultados reais!

Mercado de leite spot


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Indução de Lactação em Vacas

  Indução de Lactação em Vacas: Vale a pena para o produtor?



Vaca leiteira em protocolo de indução de lactação no curral


​Um dos maiores desafios na pecuária leiteira é o descarte involuntário de vacas que, apesar de terem uma genética superior, apresentam dificuldades reprodutivas. A indução de lactação surge como uma alternativa tecnológica para que esses animais retornem à produção sem a necessidade de um novo parto.

​Mas como fazer isso do jeito certo e garantir a viabilidade econômica? Neste artigo, vamos mergulhar nos detalhes técnicos dessa estratégia.

​O que é a Indução Hormonal de Lactação? 

​A indução de lactação é um protocolo que utiliza hormônios para simular as alterações endócrinas que ocorrem no organismo da vaca durante o terço final da gestação e o pré-parto. O objetivo é preparar a glândula mamária para produzir leite, mesmo que o animal não tenha concebido um bezerro.

​As Vantagens Estratégicas para o Rebanho 

​Implementar essa técnica no seu manejo pode transformar os números da propriedade. Confira os principais benefícios:

​Aproveitamento Genético: Mantém no plantel vacas de alta performance que seriam descartadas por falhas reprodutivas.

​Fluxo de Caixa: Reduz o intervalo entre partos "artificialmente", mantendo a vaca gerando receita na ordenha.

​Redução de Custos: O custo para induzir uma vaca é consideravelmente menor do que o custo de recria de uma novilha de reposição.

​Como Funciona o Protocolo 

​Lembre-se: todo protocolo deve ter acompanhamento veterinário.

​1. Seleção das Candidatas 

​Não são todos os animais que respondem bem à indução. Os melhores resultados são obtidos em:

​Vacas com bom Escore de Condição Corporal (ECC).

​Animais sem histórico de mastites graves ou problemas de casco.

​Fêmeas com histórico de boa produção em lactações anteriores.

​2. A Fase Hormonal 

​O protocolo padrão dura cerca de 21 a 30 dias e envolve o uso coordenado de:

​Estrogênio e Progesterona: Para o desenvolvimento dos alvéolos mamários.

​Corticosteroides: Para simular o "gatilho" do parto.

​Antagonistas Dopaminérgicos: Essenciais para elevar os níveis de prolactina no sangue.

​Manejo de Ordenha e Persistência 

​Após a indução, o manejo de ordenha é o que determina o sucesso a longo prazo. A estimulação mecânica regular é vital para manter a produção. Estudos indicam que vacas induzidas podem atingir entre 80% e 90% da produção que teriam em uma lactação pós-parto normal.

​Conclusão 

​A indução de lactação não é apenas uma técnica veterinária, é uma ferramenta de gestão financeira para o agronegócio moderno. Ao evitar o descarte precoce, o produtor maximiza o retorno sobre o investimento feito na genética do animal.



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Alimentação de Vacas Secas: Guia Completo para Alta Produção no Próximo Ciclo

 

alimentação de vacas secas

A fase de vaca seca é um dos períodos mais estratégicos dentro da pecuária leiteira. Um manejo nutricional bem feito nessa etapa impacta diretamente na saúde, produção e longevidade do animal. Muitos produtores ainda negligenciam essa fase, mas a verdade é que o sucesso da próxima lactação começa aqui.

Se você ainda tem dúvidas sobre o processo de secagem, veja também nosso guia completo de  como secar uma vaca corretamente.

 O que é a fase de vaca seca?

A fase de vaca seca é o período entre o final da lactação e o próximo parto, geralmente com duração de 45 a 60 dias. Nesse momento, a vaca não está produzindo leite e seu organismo está focado na recuperação corporal e no desenvolvimento do feto.

 Importância da alimentação de vacas secas

Uma alimentação de vacas secas bem balanceada traz benefícios como:

Melhor condição corporal no parto

Redução de doenças metabólicas (como cetose e hipocalcemia)

Maior produção de leite na próxima lactação

Bezerros mais fortes e saudável Como deve ser a dieta da vaca seca?

A dieta deve ser ajustada conforme duas fases principais:

 1. Fase inicial da vaca seca (até 21 dias antes do parto)

Aqui o foco é manter a vaca com condição corporal adequada.

Principais pontos:

Uso de forragens de média qualidade

Baixo teor energético

Evitar excesso de concentrado

Inclusão de minerais adequados

 2. Pré-parto (últimos 21 dias)

Essa é a fase mais crítica. A dieta precisa preparar o rúmen para a futura lactação.

Principais pontos:

Introdução gradual de concentrado

Ajuste de energia e proteína

Uso de dieta aniônica (controle de cálcio)

Atenção ao consumo de matéria seca


Erros comuns na alimentação de vacas secas

alimentação de vacas secas


Evite esses erros que podem comprometer todo o sistema:

❌ Excesso de energia (vaca gorda demais)

❌ Falta de minerais essenciais

❌ Mudança brusca na dieta

❌ Falta de separação por lotes Suplementação mineral: essencial!

A suplementação mineral para vacas secas é indispensável, principalmente para:

Cálcio

Fósforo

Magnésio

Microminerais

Isso ajuda a prevenir problemas no pós-parto, como a famosa “febre do leite”.

Impacto direto na produção de leite

Uma vaca bem manejada no período seco pode produzir muito mais leite no próximo ciclo. Estudos e prática de campo mostram que:

Vacas bem nutridas = maior pico de lactação

Menor incidência de doenças

Melhor fertilidade

Palavra-chave forte: produção de leite em vacas leiteiras

 Conclusão

A alimentação de vacas secas não é um detalhe — é um dos pilares da produção leiteira eficiente. Investir nessa fase é garantir mais lucro, saúde e desempenho no rebanho.

E lembre-se: tudo começa com uma secagem bem feita. Se ainda não viu, acesse nosso conteúdo sobre  como secar uma vaca corretamente e melhore ainda mais seus resultados.

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Bicarbonato na Dieta de Ruminantes


 

Bicarbonato na Dieta de Ruminantes: O Tamponante Essencial para a Saúde do Rúmen


Na nutrição de bovinos leiteiros e outros ruminantes de alta produção, o bicarbonato de sódio (NaHCO₃) desempenha um papel fundamental como agente tamponante. Diferente da sua aplicação na medicina humana, no contexto da produção animal o objetivo é neutralizar o excesso de ácido produzido no rúmen, garantindo um ambiente estável para os microrganismos responsáveis pela digestão da fibra .


O Desafio da Acidose Ruminal


O rúmen é um ecossistema que depende de um pH estável (idealmente entre 6,0 e 6,5) para funcionar corretamente . No entanto, as dietas modernas para vacas de alta produção são ricas em concentrados (grãos e amidos) e pobres em fibras longas. Este tipo de alimentação acelera a fermentação e a produção de ácidos graxos voláteis (AGVs), levando a uma queda brusca do pH ruminal.


Quando o pH cai abaixo de 5,6 por períodos prolongados, instala-se a acidose ruminal subaguda (SARA) . Esta condição compromete a digestão da fibra, reduz a ingestão de matéria seca, diminui o teor de gordura do leite e prejudica o bem-estar animal . É nesse cenário que o bicarbonato atua como um "amortecedor químico".


Mecanismo de Ação no Rúmen


A função primária do bicarbonato é elevar e estabilizar o pH do rúmen . Funciona da seguinte forma:


1. Neutralização direta: Quando o ambiente fica ácido (excesso de H⁺), o bicarbonato (HCO₃⁻) se liga a esses íons, formando ácido carbônico (H₂CO₃), que é rapidamente quebrado em água e gás carbônico (CO₂) .

2. Estímulo à fermentação: Ao estabilizar o pH, o bicarbonato cria condições favoráveis para as bactérias celulolíticas (que digerem fibra) e reduz o crescimento de bactérias produtoras de ácido lático, prevenindo quedas bruscas de pH .


Algumas teorias mais recentes sugerem que o bicarbonato também atua aumentando a taxa de diluição do líquido ruminal e acelerando a passagem do amido não degradado para o intestino, reduzindo assim a fermentação ácida no rúmen .


Benefícios Produtivos e Clínicos


A suplementação com bicarbonato está associada a melhorias significativas no desempenho animal:


· Gordura do Leite: O principal benefício observado é o aumento do teor de gordura no leite, especialmente em dietas à base de silagem de milho .

· Ingestão de Matéria Seca: Ao aliviar o desconforto causado pela acidez, os animais tendem a comer mais, o que sustenta a produção de leite .

· Digestibilidade: A estabilização do pH melhora a digestão da fibra (FDN), extraindo mais energia da dieta .

· Manejo do Estresse Térmico: Durante o verão, as vacas ofegam mais para perder calor, o que leva à perda de bicarbonato (CO₂) pelo sangue, reduzindo a saliva tamponante. A adição de bicarbonato na dieta compensa essa perda e ajuda a manter o pH estável, atenuando a queda de produção típica do calor . Estudos mostram ganhos de até 4,3 kg de leite por dia com o uso durante o estresse térmico .


Dosagem e Formas de Uso


Para que seja eficaz, o bicarbonato deve ser incluído na dieta nas seguintes quantidades recomendadas:


· 0,6% a 0,8% da matéria seca total consumida .

· 1,2% a 1,6% da mistura concentrada (ração) .


Na prática, isso equivale a aproximadamente 100 a 200 gramas por cabeça/dia para vacas leiteiras de alta produção . Deve ser misturado uniformemente na dieta total (TMR) ou no concentrado.


Considerações Finais


Embora o bicarbonato de sódio seja o padrão ouro entre os tampões ruminais, não é uma solução isolada. Seu uso deve estar aliado a uma formulação de dieta que contenha fibra efetiva suficiente para estimular a ruminação (produção natural de saliva). Quando utilizado corretamente, o bicarbonato é uma ferramenta indispensável para proteger a saúde do rúmen, otimizar a eficiência alimentar e garantir o alto desempenho produtivo do rebanho.

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PASSO A PASSO PARA SECAR VACA DE ALTA PRODUÇÃO (JEITO CERTO)

 Qual o tempo correto de secar uma vaca de alta produção?




O tempo ideal para secar uma vaca de alta produção é 60 dias antes da data prevista do parto.

Esse período é considerado padrão técnico para garantir:

Renovação do tecido mamário

Melhor formação de colostro

Maior produção na próxima lactação

Redução de mastite no pós-parto

Vacas que produzem acima de 25–30 litros por dia precisam obrigatoriamente de um período seco bem planejado.

Por que 60  é o período ideal?

Durante o período seco acontece a regeneração das células secretoras da glândula mamária.

Se o produtor encurta esse tempo:

❌ Menos de 45 dias → queda na produção futura

❌ Menos qualidade de colostro

❌ Maior risco de problemas metabólicos

Se prolongar demais:

⚠️ Mais de 70 dias → risco de vaca excessivamente gorda

⚠️ Maior chance de cetose e dificuldade de parto

O equilíbrio técnico está nos 60 dias bem manejados.

Como secar vaca de alta produção do jeito certo?

1️⃣ Planejamento

Confirmar prenhez

Calcular 60 dias antes do parto

Organizar lote de vacas secas

Sem planejamento não existe período seco eficiente.

2️⃣ Redução da Produção (7 a 10 dias antes)

Vacas produzindo acima de 20 litros não devem ser secadas de forma brusca.

Estratégia correta:

Reduzir concentrado

Diminuir energia da dieta

Reduzir ordenhas gradativamente

Buscar produção abaixo de 15 litros antes da secagem total

Isso reduz pressão na glândula e risco de mastite.

3️⃣ Dia da Secagem

No último dia:

Ordenhar completamente

Aplicar antibiótico intramamário para vaca seca (conforme orientação veterinária)

Aplicar selante interno quando indicado

Suspender ordenha

Ambiente limpo e aplicação correta são decisivos.

Manejo no Período Seco

O período seco deve ser dividido em duas fases:

🔹 Seco distante (até 30 dias antes do parto)

Dieta moderada

Controle de escore corporal (3,25 a 3,5)

Evitar excesso de energia

🔹 Pré-parto (últimos 21 dias)

Ajuste mineral

Controle de cálcio

Preparação do rúmen para dieta de lactação

Aqui é onde muitos produtores erram.

Erros Comuns na Secagem de Vacas de Alta Produção

Secar vaca produzindo 25–30 litros de forma brusca

Não usar protocolo sanitário

Não dividir dieta por fase

Deixar vaca engordar demais

Esses erros reduzem lucro na próxima lactação.

Qual o impacto econômico de uma secagem mal feita?

Uma vaca de alta produção pode perder 3 a 5 litros por dia na lactação seguinte quando o período seco é mal manejado.

Multiplique isso por 300 dias de lactação.

Agora multiplique pelo número de vacas do rebanho.

É dinheiro que vai embora.

Conclusão

O tempo correto de secar vaca de alta produção é 60 dias antes do parto, com manejo nutricional, sanitário e estratégico.

Não é apenas “parar de ordenhar”.

É preparar a próxima lactação.

Produtor que entende isso aumenta produção, reduz mastite e melhora resultado financeiro.

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