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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

80% de Zebu no Brasil: atraso na pecuária ou a maior estratégia do mundo?

 




Por que o Brasil tem 80% de Zebu e ainda é criticado pela pecuária mundial? A verdade que ninguém quer falar

Se você acompanha qualquer debate sobre pecuária nas redes sociais, já deve ter visto essa frase — ou algo parecido:

“O Brasil só tem Nelore porque não sabe produzir carne de qualidade.”

Mas será que isso é verdade…
ou é só desconhecimento técnico disfarçado de opinião?

Hoje vamos falar sem romantismo e sem vira-latismo, usando dados, realidade de campo e lógica produtiva.


O Brasil não escolheu o Zebu por acaso

O Brasil não virou um país com mais de 80% do rebanho formado por Zebu porque “não tinha opção”.
Virou porque funciona.

O Nelore, assim como outras raças zebuínas, entrega aquilo que o Brasil precisa:

  • ✔️ Rusticidade
  • ✔️ Resistência ao calor
  • ✔️ Capacidade de produção a pasto
  • ✔️ Baixo custo por arroba produzida
  • ✔️ Adaptação a parasitas e doenças tropicais

Enquanto muitos países produzem carne em sistemas altamente confinados, caros e dependentes de subsídios, o Brasil produz carne competitiva a pasto, em escala continental.

Isso não é atraso.
Isso é estratégia produtiva.


“Ah, mas a carne do Nelore é inferior” — será mesmo?

Aqui está uma das maiores mentiras repetidas na internet.

👉 Carne ruim não é raça. É manejo.

Um Nelore mal manejado, abatido velho e sem acabamento vai produzir carne ruim.
Assim como qualquer Angus, Hereford ou Wagyu criado de forma errada.

Hoje o Brasil já prova que é possível ter:

  • Nelore com boa marmorização
  • Cruzamentos industriais altamente eficientes
  • Carne premium produzida em clima tropical

O problema é que muita gente compara:

  • Nelore médio de sistema extensivo
    com
  • Angus selecionado, terminado em grão e abatido jovem

Isso não é comparação técnica.
Isso é desonestidade intelectual.


Se o Nelore é tão “ruim”, por que ele domina o mercado?

Simples.

Porque o mercado não paga opinião, paga resultado.

O Nelore:

  • Engravida em ambiente hostil
  • Cria bezerro pesado
  • Aguenta seca, calor e pressão sanitária
  • Fecha conta onde muitas raças quebram

Por isso ele:

  • Domina os leilões
  • Sustenta pequenos, médios e grandes produtores
  • É base de quase todos os cruzamentos industriais no país

Não existe raça perfeita.
Existe raça adequada ao sistema.


E o Brahman? É tudo a mesma coisa?

Não.

O Brahman também é Zebu, mas com diferenças claras:

  • Mais docilidade
  • Mais estrutura corporal
  • Boa adaptação a sistemas mais intensivos

Mas vamos ser sinceros:

👉 O Nelore entrega mais eficiência por hectare na média nacional.

Por isso ele reina absoluto.


O verdadeiro problema não é o Nelore — é o complexo de vira-lata

Parte da crítica ao Zebu não é técnica.
É cultural.

Existe uma ideia equivocada de que:

  • Tudo que vem de fora é melhor
  • Tudo que é europeu é superior
  • O Brasil “não sabe produzir carne boa”

Enquanto isso, o Brasil:

  • É um dos maiores exportadores de carne do mundo
  • Alimenta mais de 150 países
  • Produz carne em escala que poucos conseguem

Se isso é ser “grandão bobão”…
então o mundo inteiro depende do “bobão”.


Conclusão direta, sem floreio

O Brasil não errou ao apostar no Zebu.
O Brasil acertou em cheio.

Quem entende de pecuária de verdade sabe:

  • Raça não faz milagre
  • Manejo, genética e sistema fazem resultado
  • E o Nelore segue sendo o pilar da pecuária tropical

Se você produz no campo, sente isso todo dia.
Se você critica do sofá, talvez falte bota suja de barro.


🔥 Se esse artigo te representou, compartilhe.

💬 Se discordar, comente — mas traga argumento técnico.

👉 Vacada Boa — pecuária sem romantismo, sem mentira e com pé no chão.